o verão e a nostalgia de um tempo em que não sentíamos o patriarcado

o verão e a nostalgia de um tempo em que não sentíamos o patriarcado

16 de janeiro de 2020

A chegada do verão é sempre nostálgica para mim.

Hoje lembrei dos banhos coletivos com as primas na casa da avó italiana.

A alegria que era voltar da praia comendo churros e seguir ao banheiro falando sem parar, tirando os biquínis com quilos de areia enquanto contávamos histórias vividas e inventadas sem fim.

Uma pulsão de vida contagiante, uma libido natural e espontânea, traduzida em alegria e inocência.

Durante anos passamos verões juntas, ouvindo descobertas, intimidades, influenciando umas às outras.

Lembro de nossas vulvinhas sem pelos! E de quando começamos a ficar menstruadas, com direito a TPM’s compartilhadas!

E a dureza do fim das férias e da nossa adolescência; a separação concreta ao entrarmos em Universidades. O mundo patriarcal nos penetrando e cada uma seguindo em sua jornada de coragem, enfrentamentos e (muitas) dores.

Inúmeras lutas profissionais.

Casamentos desfeitos.

Rompimentos profundos com crenças culturais e familiares.

Gritos de liberdade entre e por todas nós – cada uma a sua maneira e tempo.

Hoje, mais além de nossas funções oficiais como terapeuta-comunicadora, educadora-paraquedista, arquiteta, executiva, administradora ou advogada, nossos úteros seguem criando e parindo crianças e sonhos.

Torço para que continuemos a expandir a força e o prazer em sermos as mulheres que somos, reverenciando nossa revolução, sabedoria, corações, corpos e vulvas divinas!

E que a memória daqueles verões siga como fonte de alegria e autêntica sororidade entre nós!

Autora: Fernanda Franceschetto
Vulvoscopia FF – A jornada íntima para tornar-se mulher, sem tabu