é quase loucura tornar-se mãe

é quase loucura tornar-se mãe

19 de fevereiro de 2020

Se alguns anos atrás alguém me dissesse que eu estaria plena e feliz passando a tarde com três crianças no clube, descendo no tobogã até rasgar o biquíni de tanta aventura e alegria, eu não acreditaria. Daria risada e diria à pessoa que ela não me conhecia.

Sempre fui tão livre, tão livre, tão livre, que durante a maior parte da vida adulta realmente não pensei e não quis ter filhos. Estava interessada nas conquistas mais visíveis, mais palpáveis, mais socialmente “aplaudíveis”. Meu ego amava receber olhares de admiração e aplausos por onde quer que estivesse passando. Dependia sim do reconhecimento externo para ampliar minha noção de existência, autoestima e autovalorização.

Quando decidi mergulhar em meus abismos e transformar as sombras e condutas que já não faziam sentido como filha e fêmea domesticada nesta sociedade patriarcal, novos e revolucionários caminhos surgiram em meus horizontes. Um deles foi o desejo e a vontade profunda de entregar meu SER à serviço de outra vida, de outra alma, sendo MÃE. Sem dúvida, a escolha mais radical de minha vida. E sugiro que às que não tem certeza ou vontade de ser, que reclinem sem vergonha ou culpa alguma, até que possam sentir-se chamada para este ato de absoluta e incontrolável transformação.

A entrega é total. Deixar de existir em diversos planos é real. Morrer para vários aspectos de si mesma é fato. É quase loucura tornar-se mãe. A melhor insanidade da vida. A de sentir-se completamente inteira no trabalho existencial mais importante da vida e jamais reconhecido em plenitude por ninguém nem sociedade alguma.

Só lembrarão se as mães fizeram um “bom trabalho” quando os filhos decidirem deitar-se no divã por não saberem qual sentido e guia darem às suas vidas. Culparão as mães por tudo que deu errado. E não as entenderão jamais pela capacidade de amar incondicionalmente.

Dou mãos e abraço profundamente a todas as mães, e honro as incansáveis ações e possibilidades impensáveis que puderam desenvolver no trabalho diário com suas criaturas. Ser mãe é o compromisso mais desafiador e abençoado desta vida.

Confiem no que estão plantando. A mudança que seus filhos podem provocar neste mundo será reflexo do que receberam da presença e dos ensinamentos de vocês. Somos responsáveis por parir e orientar o destino da humanidade. Não há potência no mundo maior do que esta.

Honra a tua presença e o teu poder de maternar, mulher. Somos a possibilidade da R-evolução através do Amor, da natureza e da resistência a qualquer forma de negação à vida.

Texto da autora: Fernanda Franceschetto⠀- comunicadora, psicoterapeuta gestalt, tântrica, jornalista, artista e mãe solo

Criadora do Vulvoscopia FF: A jornada íntima para tornar-se mulher sem tabu⠀⠀⠀